From the recording O Som de Sónia André
Poema de Eugénio de Andrade. Chegou-me às mãos o seu manuscrito numa passagem pela Fundação do Escultor José Rodrigues. O papel sarrabiscado disse-me tudo na altura. Sabia que tinha que musicar este poema.
Esta canção teve oito versões, foi das primeiras que compus para o álbum. Mas nunca me parecia acabada. De uma das suas versões nasceu outra canção “Vida a lápis”. Quando já tinha acabado a composição de todas as canções para este álbum é que consegui acabar esta. Ela é a representação do medo do vazio que fica após a finalização de algo a que dedicamos tudo.
-------------EN
Poem by Eugénio de Andrade. I came across his manuscript while passing through the José Rodrigues Sculptor Foundation. The scribbled paper told me everything. I knew that I had to set this poem to music.
This song had eight versions; it was one of the first I composed for the album. But it never seemed finished to me. Another song "A vida a lápis" was born from one of its versions. When I had finished writing all the songs for the album, I managed to finish this one. It represents the fear of the emptiness that remains after finishing something to which we've dedicated everything.
Poema de Eugénio de Andrade
Música, e Voz – Sónia André
Produção, Performance Instrumental – Eduardo Moreira
Guitarra Acústica – Carlos Sanches
Baixo Elétrico – Bruno Rodrigues
Gravação, Mistura e Masterização João Sousa | Grawa Sound Studio
Lyrics
O Sal da Língua
Escuta, escuta: tenho ainda
uma coisa a dizer.
Não é importante, eu sei, não vai
salvar o mundo, não mudará
a vida de ninguém – mas quem
é hoje capaz de salvar o mundo
ou apenas mudar o sentido
da vida de alguém?
Escuta-me, não te demoro.
É coisa pouca, como a chuvinha
que vem vindo devagar.
São três, quatro palavras, pouco
mais. Palavras que te quero confiar.
Para que não se extinga o seu lume,
o seu lume breve.
Palavras que muito amei,
que talvez ame ainda.
Elas são a casa, o sal da língua.
